O
FUTEBOL E A VILA TELEBRASÍLIA
(Evolução, história
e conquistas)
Sábado
- 13 de setembro de 2008.
Sem
dúvida que todos têm a sua história,
do mais rico e tradicional ao mais pobre e desconhecido
time de futebol, seja ele amador ou profissional.
Em nossa cidade não é diferente.
Para quem não conhece ainda, ou porque era
muito jovem na época, ou não tinha nascido,
ou até mesmo para aqueles que vieram morar
em nossa comunidade há pouco tempo, aqui vai
um resumo, sem muitos detalhes, desses 50 anos da
história futebolística da Vila Telebrasília.
A
começar pelo pioneiro do qual se tem registro
e muito orgulho, o Pirata
Esporte Clube. Fundado em 1974, esse
foi sem dúvida o time que melhor representou
o antigo Acampamento da Cotelb, mais
tarde Acampamento da Telebrasília,
hoje, a Vila Telebrasília.
Precursor dessa história, essa equipe foi fundada
e formada por jovens daquela década, época
de ouro, o time chegou a jogar nos muitos gramados
de importantes centros esportivos e estádios
de Brasília, como o Pelezão,
o estádio do Cave do Guará
e o Serejão em Taguatinga,
disputando jogos memoráveis, campeonatos, torneios
e copas, a exemplo da famosa, cobiçada e renomada
Copa Dreher.
Pirata:
o pai de todos os times da Vila
O
Pirata
chega para revelar e exportar para o futebol profissional
de Brasília, como o meio-campista, um volante
hábil e muito bem preparado fisicamente, um
jovem de nome Bôner, talentoso
e oportunista, saindo do time para defender o Brasília
Esporte Clube e a Sociedade Esportiva
do Gama nos campeonatos brasileiros daquela
década com mais de 90 equipes na primeira divisão.
Time de muitos craques e talentos, crias da casa,
como os goleiros, João Lino e Rúbio,
os zagueiros: Mozer, Pedrão,
Adilson e Aluízio, os meias Edmilson,
e o próprio Bôner, Koy
e Batatinha, (esse, a estrela do time) e
dos atacantes Danda, Léo e Alair,
entre outros.
Na
segunda metade dessa década, surge como oponente
ao Pirata, mas não como rival, o Renier
Esporte Clube, fundado em 06 de agosto de
1977, o REC como era conhecido e
respeitado, teve na figura do seu presidente e fundador
Rainier Silva Queiroz um dos principais
nomes, talvez o mais importante de todos àqueles
que incentivaram e apoiaram o esporte amador de Brasília,
principalmente o futebol da nossa Vila, a quem prestamos
aqui uma póstuma e justa homenagem.
Ao
mudar-se para São Paulo aonde veio a falecer
na década passada, o sonho e a existência
do REC são enterrados com ele, mas deixa essa
página muito bem escrita e jamais apagada ou
esquecida por toda uma geração.
E
quem não lembra do II Campeonato das
Nações de 1987? Por certo não
era vivo ou não morava na Vila, quando o time
inscreveu para a disputa os três quadros do
time, as equipes do REC A, B e C.
Muito embora tenha ficado nas 3º, 4º e 5º
colocações respectivamente, fica registrado
a história de um time que jamais se dividiu,
mesmo perdendo grandes e importantes atletas para
o Independente
A e Independente
B, recém fundado naquele ano.
Alguns ainda lembram da letra de uma música
composta por um ilustre torcedor de nome Lima,
(vivo até hoje) que ilustra bem a alegria desse
tempo, cujos os versos dizia assim: “ ... É
o Rec A, é o Rec B, o orgulho da equipe
Renier...” Cantada por muitos
torcedores em dia de jogos importantes, sejam eles
campeonatos, torneios ou em simples amistosos disputados.
REC:
O título mais importante
O
auge do REC acontece no ano 1980, três anos
após a sua fundação, talvez o
mais glorioso de todos os times da Vila, do qual me
orgulho muito de ter participado não somente
como jogador, mas, como atleta e fundador, e também
como torcedor e fã que eu era. Essa vitoriosa
equipe foi campeã de um dos maiores e mais
importantes campeonatos amadores já disputado
em Brasília até hoje. Patrocinado pela
revista Placar, pelo Jornal
de Brasília e com o apoio da Secretaria
de Esportes e Defer, foi
organizado pela Distribuidora Jardim
do presidente Agrício Braga,
que anos depois assumeria o cargo de Secretário
de Esportes do DF e eleito Deputado Distrital.
Disputado
por quase uma centena de times inscritos, equipes
amadoras do Plano Piloto e cidades satélites,
e também do entorno de Brasília, o I
TORNEIO DE PELADAS DO DF, nome oficial do
campeonato, começa dividido em chaves na 1ª
fase, dentro das suas regiões administrativas
por cidade dos times. Com dois empates e três
vitórias, o REC arrancou a classificação
na última rodada, ficando em segundo lugar
na chave classificatória passando às
oitavas-de-finais. Começa as fases eliminatórias,
o mata-mata como é mais conhecida até
hoje, o REC vai crescendo de produção,
passa para às quartas-de-finais sem nenhum
problema e chega às semi-finais. Dos quatros
times restantes agora, só o Renier
Esporte Clube tem uma estrutura amadora,
mas não lhe faltava coragem, garra, nem raça,
e com sua torcida apaixonada acompanhando o time do
Acampamento todo o tempo, representante agora do Plano
Piloto, nossa região administrativa. O Acampamento
todo envolvido e participando dessa conquista.
Não
me lembro o adversário, (perguntem ao Ernandes,
ex-genro do seu Chiquinho) mas, o REC passou apertado
pelo placar de 4 a 3, num jogo de matar cardíaco.
Pronto, a missão estava cumprida! O REC na
final seria o vice-campeão! estava decretado!
Não tinhamos agora a menor chance! O adversário
era ninguém mais que a grande e temida equipe
da Distribuidora Jardim, organizadora
do campeonato, representante do Guará, preparada
e treinada com uma estrutura de profissional, do treinador
ao roupeiro, do massagista aos gandulas, e patrocinada
por importantes empresas, levando a própria
marca da empresa às costas das camisas do time.
Final:
REC 3 x 1 Distribuidora Jardim, com
uma atuação de gala, o REC atuou naquela
partida como um Davi enfrentando o Golias. Fomos gigante!
Levantamos o troféu de Campeão numa
grande, surpreendente, emocionante e inesquecível
final.
(Veja algumas fotos
no final da página)
Independente
de todos: Um título confuso
Já
na metade dos anos 80, por volta de 1986, surge entre
outras equipes, uma de destaque, o Independente
Futebol Clube. Time de craques e de grande
pegada, quase imbatível nos seus domínios,
o Campão de barro, chega a
ficar invicto por quase um ano, de uma defesa firme,
dura e compacta, onde se destacam os zagueiros Aldo
e Zito e os laterais Ozé e
Heleno, e Omides, um goleiro
alto, magro e seguro, em ótima fase, especialista
em bolas altas e pegador de pênaltis. No meio-campo
um quadrado mágico, formado por: Ernandes,
Onaldo, Edi e Evan, esses meninos jogavam
por música, no ataque dois matadores, um goleador
de nome Alair (ex-Pirata) e um ponta
direita entortador de colunas chamado Wilson.
Tantos craques jogando juntos assim, que surge um
pequeno descontentamento na época, os reservas
se revoltaram por não terem chance no time,
assunto rapitamente contornado pela diretoria que
resolveu logo criar o Independente B
e inscrevê-los do campeonato que estava pra
começar, que para não
dividir o time, entregou ao treinador João
Lino, um dos fundadores do Pirata, já
extinto na época. O Independente B éi
formado pelo goleiro Dico (até
hoje em atividade e atuando no Vila Verde) a defesa
composta por Amaral, Oliveiros, Otto, Neto
Guachuchu (e Omar)
e o meio-campo por Adélcio, Júlio
César e Paulinho Cearence, (esse,
filho de Dona Ciça e seu Raimundo). e pelos
atacantes: Aristides, Curió
(ponta direita) e Paulo Henrique
(ponta esquerda).
O
feito maior do Independente foi colocar os quadros
A e B na grande final. O jogo terminou empatado
em 0 a 0, e até hoje a polêmica
continua. Quem seria o verdadeiro campeão daquele
ano, o Independente A ou B? com certeza, o Independente
Futebol Clube, o legitimo Campeão
da II Copa das Nações
de 1987, independente de quadros.
Na
segunda metade da década de 90, mais precisamente
no ano de 1996, o Acampamento da Telebrasília
passa por grandes transformações, perdas
e conquistas. Dividida politicamente, metade dos moradores
decide mudar-se para o Riacho Fundo e com ela metade
da população de jogadores que passam
a defender times locais da nova cidade. Outros, criam
seus próprios times a exemplo do Cruzeiro,
depois Garra e do 03
de Maio, este, fundado na Vila ainda.
Destaco o ressuscitado, antigo e extinto Pirata, aquele
da década de 70.
É
nesse ano de 1997 que surge do nada uma rivalidade
fulminante que vai crescendo à altura que o
campeonato avança, até eletrizante e
emocionante final. Vila Verde X Pirata, uma
final que todos já esperavam, os dois melhores
times do campeonado do Riacho Fundo. Pirata
campeão de 1997. E quando todos esperavam
no ano seguinte um time forte e grande e temido, fecham
as portas inexplicavelmente como havia começado,
saindo de cena sem fazer barulho ou história,
e sem nem mesmo deixar saudade, apenas, alguns órfãos
e viúvas.
Vila
Verde: Finalmente uma nova equipe, orgulho da Vila.
Fundado
em 25 de janeiro de 1997, o Vila Verde Futebol
Clube com pouco mais de 4 meses, ja chegara
a final do campeonato logo na sua estéia em
competições. Perde numa dramática
final na disputa por pênaltis, essa batalha
estava perdida, essa guerra não! O
Pirata afunda logo após essa conquista, não
sem antes ver o Vila Verde dar a volta por cima, renascendo
das cinzas como uma fênix, juntando os cacos
daquela sofrida final, para em seguida levantar o
troféu de Campeão da IV Copa
da Granja do Torto de 1997.
Finalmente
um novo time renasce, trazendo com ele de volta a
alta-estima, o orgulho e a alegria de todos os moradores
de morar nessa Vila. A inexistência de times
e adversários na Vila Telebrasília,
faz o time se deslocar de cidade em cidade, recebendo
convite, disputando torneios, copas e campeonatos,
mantém o campão ainda no barro, por
algum tempo sem atividade, jogando apenas em amistosos.
Agora a Vila Telebrasília
se veste de verde-esperança e com o branco
da paz, tendo no Vila Verde a sua identidade resgatada,
a Vila agora no mais alto do pódio. Disputando
campeonatos no Cruzeiro, Granja do Torto, em clubes
sociais e esportivos de Brasília como o Cota
Mil, a Asmec, o
Caalex, entre outros, nem sempre ganhando,
mas sempre representado bem a Vila e jogando com a
dignidade de um legítimo campeão.
É
na cidade do Riacho Fundo onde o Vila Verde mais se
destaca, ganhando títulos em cima de títulos,
Campeão do Riacho Fundo/2000, Bicampeão
invicto / 2001, Tricampeão
invicto /2002 e Tetracampeão
/2003, disputou sete
(7) campeonatos e levantou a taça quatro vezes
seguidas, vice em 1997 e 2004, onde disputa seu último
campeonado perdendo a final por 1 a 0 para o Riachão.
Com
raça, amor a camisa, coragem e perseverança,
o Vila Verde conquista não só uma grande
e apaixonada torcida, mas também a admiração
dos adversários, o respeito de todos e muita
inveja.
O
ano por 2007 marcar pela nossa maior conquista, o
nosso asfalto. Em 2008 outro grande e sonhado presente:o
nosso campo agora gramado.
O
nosso campão, como ficou mais conhecido nesses
50 anos, agora e de grama sintética, o mais
moderno de todo o DF, talvez do Brasil e o maior da
America Latina. Está cercado e urbanizado com
calçadas, grama, palmeiras e bem iluminado
por dezoito refletores. O nosso ex-campão tão
sonhado por todos, por certo não verá
o mais o PIRATA, o REC e o Independente jogarem, todos
eles extintos, exceto o Vila Verde, com seus 11 anos
de história em plena atividade.
E
os novos times?
Bem,
esses fundados agora, que comecem a contar as suas
histórias a partir de agora! Porque? Começa
hoje a...
I
COPA DE FUTEBOL EM CAMPO SINTÉTICO DA VILA
TELEBRASILIA!
Acompanhem!
Por Omides Chianca
Clique nas fotos
para visualizá-las.

3 de Maio, 1991 |

Jeremias, REC 1977 |

Independente A 1987 |

Independente Misto, 1987 |

Independete 1987 |

Pirata 1976 |

Jornal de Brasília 2003 |

Omides e Eleno no Independente 1987 |

Carteirinha do Renier Esporte Clube, 1977 |

REC 1978 |

REC 1977 |

REC 1977 |
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